quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

TEMPO PRA RECORDAR

Um homem se senta na beira do rio.
Varinha de bambu na mão, isca n'água e pensamentos na mente.
O Sol nascendo no lado oposto reflete na água uma linda paisagem.
E entre dois morros ele vai surgindo.
Amarelo, dourado e brilhante.
As horas vão passando e nenhum beliscão no anzol.
Os pensamentos afloram.
As lembranças também.
Quem sabe do que? De onde? De quem? 
De repente um brando sorriso que a olhos alheios são sem motivo.
Mas que para o homem na beira do rio pode ter muitos.
Enquanto ele tenta pescar um peixe, o tempo passa.
E por sua mente, talvez toda sua vida esteja passando enquanto a varinha de bambu não se mexe.
Tempo, as vezes é isso que precisamos.
Para lembrarmos quem somos, o que fizemos e pra onde fomos.
O Sol já está sobre sua cabeça agora, e escaldante.
O chapéu na sacola já se faz necessário.
Ele não pausa suas lembranças para pegá-lo.
Mas um primeiro puxão na linha o faz pausar.
Varinha de bambu erguida, um peixe fisgado.
Que logo depois de solto do anzol volta pra água.
Afinal, o tempo na beira do rio para aquele homem, é para recordar e pensar.
A alegria de ter pego um peixe foi apenas um intervalo entre o filme da vida dele.
Que ele recorda na beira do rio.
Um novo sorriso indicando uma boa lembrança.
Olhos ao céu, e uma breve gargalhada.
Depois, olhos ao rio e uma mirada n'água.
Onde agora ele já vê sua sombra.
Pois nesse momento, o Sol já está as suas costas.
Mais brando, se pondo por entre outros dois morros.
O tempo passado na beira no rio.
Suficiente pra lembrar o tempo passado de sua vida.
Varinha de bambu erguida, isca tirada do anzol.
Tralha de pesca recolhida.
Lá se vai o pescador pra sua casa.
Viver outras situações e novas passagens
Pra que possa recordar em sua próxima pescaria.
Ou quem sabe numa outra viagem.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ENTEDIADO

Preciso ocupar o meu tempo.
Pois o tempo não pára quando estou parado.
E eu já estou entediado.
Preciso ver pessoas, preciso ter contato.
Contato físico que não seja com um teclado.
Quero ouvir vozes que não sejam por um telefone.
Onde palavras são ditas e não digitadas.
Quero ter um diálogo além de mensagens de texto.
Onde símbolos substituem boas risadas.
De um colega, não quero saber seu endereço de e-mail
Quero ir muito além e saber seu endereço de casa.
Como era nos bons tempos.
Que saudade danada.
Amigos se abraçavam fisicamente.
Agora só se mandam abraços virtualmente.
Com isso as pessoas não mais se vêm.
Mas acreditam que muitos amigos elas têm.
Viramos escravos da tecnologia.
E alegamos que a culpa é da correria.
Quanto à mim.
Tenho um trabalho que me liberta dos horários.
Liberta-me também, do ônibus lotado.
Mas também me priva de estar cercado.
Não me permite mais ouvir sequer um burburinho.
De mulheres bonitas como colegas de trabalho.
Com quem poderia ter uma conversa depois do horário.
Colegas de trabalho eu já paquerei.
Com colegas de trabalho, futebol eu joguei.
Agora meu círculo de amigos se restringe a amigos de outrora.
Mas que não os encontro computador afora.
Preciso ocupar o meu tempo.
Não com um teclado e manias virtuais.
Mas sim com pessoas e coisas reais.
Preciso voltar a ver olho no olho.
Apertar não o enter, mas a mão.
Abraçar quem tenho consideração.
E numa garota dar um bom beijo demorado.
Ao invés de estar aqui me sentindo entediado.