quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

AUTÔMATOS

Ah tecnologia! Tão útil, mas tão bombástica.
Que tua vinda chega a ser tão drástica.
Transformou a vida de nossas crianças.
Privando-os de semear suas próprias lembranças.
Não poderão se lembrar de atividades deles.
Pois contigo, é o virtual que faz por eles.
Os transforma em autômatos e lhes rouba a vontade.
De viverem a infância livre de verdade.
Bitoladas em celulares e computadores.
Tão distantes do que viveram os seus genitores.
São ágeis com seus joysticks e teclados.
Mas pra atividades físicas são tão desengonçados.
Alguns depois de grande nem sabem correr.
Mas no teu mundo, eles sabem tudo o que fazer.
Ah tecnologia! Você bagunçou a minha vida.
Mas não me tirou a minha infância vivida.
Só tornou obsoletas coisas dela que eu gostava.
Como o walkman que no passado eu escutava.
As fitas cassetes que tomavam espaço na estante.
Isso eu devo confessar que você melhorou bastante.
Dezenas delas que davam trabalho pra tirar o pó.
As músicas agora eu salvo num lugar só.
As televisões que não mostravam uma boa imagem.
Agora nos permitem ver um filme e quase ser um personagem.
Foi na comunicação que a tecnologia fez o pior mal.
Primeiramente por tê-la tornado global.
Isso nos trouxe prejuízos e benefícios.
Como a amplitude da mídia e seus artifícios.
Sabemos tudo do mundo que eles querem mostrar.
Pensamos muito do que querem nos fazer pensar.
Também veio a internet que usamos muito hoje em dia.
Talvez o maior símbolo dessa tal tecnologia.
O mundo virtual invadiu nossas vidas.
E elas circulam por bytes em idas e vindas.
Informações sigilosas trocadas sem nosso consentimento.
Invasão de privacidade e risco a todo momento.
Comunicação rápida possível
Tão rápida que chega a ser incrível.
Abreviou o fim das cartas enviadas pelo correio.
Na vida das pessoas ela interveio.
As pessoas deixaram de se encontrar.
As pessoas deixaram de se falar.
Elas passaram a digitar.
Elas passaram a se evitar.
O telefone moderno ficou ultrapassado.
A não ser que eles tenham um teclado.
Diálogo por voz? Que nada!
Porque a voz passou a ser gravada pra ser escutada.
Enfim, isso é um pouco do que nos trouxe a tecnologia.
Somos meio autômatos hoje em dia.
O sentimento é muito divulgado nas redes sociais.
Mas em muitas situações já não existe mais.
Diz-se muito dele em teoria.
Sem que se pratique no dia-a-dia.
Mensagens postadas de filhos pra pais já falecidos.
Estes mesmos pais que em vida estavam esquecidos.
Mensagens de felicitações e pesares enviadas.
Quando na verdade as pessoas do outro lado querem ser abraçadas.
Assina-se embaixo de pensamentos compartilhados.
Porque é mais fácil do que serem pensados.
Ah tecnologia! Sem você estaríamos perdidos.
Teríamos que voltar a usar meios esquecidos.
Meios de viver a vida diferente.
Com a lembrança na nossa mente.
Com bons momentos não dispensados pra serem gravados.
E sem ter curtido-os, serem compartilhados.
Sem compartilhar uma alegria não desfrutada.
Porque a câmera estava direcionada.
Ah tecnologia!
Como seríamos sem você hoje em dia?

sábado, 26 de novembro de 2016

BEIJA-FLOR

Um beija-flor vai de flor em flor.
Introduzindo seu bico no fundo delas.
Um sedutor o beija-flor.
As seduz com seu frenético bater de asas.
E penetra um tanto cada flor pra retirar seu néctar.
Como que as flores lhe permitindo serem beijadas.
Lá vai o beija-flor, de flor em flor.
Sem sequer se apaixonar por uma delas.
Sempre voltando pro ninho.
Onde lá se encontra sua fêmea.
Volta sempre com outros gostos em seu bico.
Gosto de pentas, hibiscos e calibrachoas.
Celósias, caliandras e marianinhas.
Todas que puder beijar.
Um promíscuo o beija-flor.
Quando voa de flor em flor.

ALMA GÊMEA

Minha alma gêmea.
De sorriso nos olhos.
De pele morena.
Mulher travessa.
Meio menina.
Mesmo depois dos quarenta.
Tem que ser amiga.
Parceira fervorosa.
Pronta pra bom sexo.
Amante de uma prosa.
Tem que ser divertida.
Que me leve ao riso e ao gozo.
Ao riso largo.
Pelo sexo gostoso.
Tem que ser virtuosa.
Mas com defeitos também.
Porque perfeito nesse mundo.
Não existe ninguém.
Tem que ser sedutora.
Pra que eu a possa desejar.
O belo corpo moreno.
Onde eu queira brincar.
Tem que ser carinhosa.
Sem ciúme ridículo.
Cada um no seu quadrado.
Nós dois no mesmo círculo.
Tem que ser madura.
Com senso de seriedade.
E o que menos importa.
É com que idade.
Tem que ser compatível.
Na cama, mesa e banho.
Onde for possível, ela vai comigo.
Onde for preciso, eu a acompanho.
Taí a mulher da minha receita.
Nem um pouco perfeita.
Só dentro do que eu procuro.
Pra que eu desça de cima do muro.
Uma hora eu quero, noutra eu não quero.
Uma paixão que eu tanto espero.
Mas quando eu menos esperar.
Minha alma gêmea irá me encontrar.
Ela está por aí vagando sem rumo.
Nós dois com o mesmo prumo.
Esperando, esperando e esperando.

AQUELA MULHER NO BAR

Eu estava sentado num canto.
Quando uma mulher chegou.
Sem pedir licença.
Perto de mim ela se sentou.

Toda bela e perfumada.
Dona de um olhar hipnotizante.
Lábios carnudos sedutores.
Moldurando um sorriso marcante.

Chegou sozinha.
E assim ali ficou.
Muito perto de mim estava.
Mas nem sequer me notou.

Fiquei a observando por um tempo.
Estava ansiosa preocupada com a hora.
De repente nitidamente triste.
Apanhou a bolsa e foi-se embora.

Talvez estivesse esperando por alguém.
Que por algum motivo não apareceu.
Vendo aquela bela mulher no bar.
Desejei que esse alguém fosse eu.

Atravessou o bar a passos largos.
E eu a segui com os olhos até a saída.
Tamanha foi a minha sensação.
De que ela poderia ser a mulher da minha vida.

Por impulso saí atrás dela.
Ela esperava o carro do lado de fora.
Entreguei meu ticket ao manobrista.
E lhe perguntei aonde iríamos agora.

No primeiro momento me senti um idiota.
Tendo perguntando aquilo sem pensar.
Mas a noite ainda estava só começando.
E eu não queria deixá-la acabar.

Ela fingiu que não me ouviu.
Se mostrando surpresa olhou pra mim.
Tentei puxar conversa com ela.
Mas percebi que ela não estava afim.

Talvez por ela ter ficado esperando alguém a toa.
Eu a tenha abordado em um mau momento.
Então a vi entrar no carro e ir embora.
Mas ela continuou no meu pensamento.

Depois daquela noite no bar.
Essa mulher eu nunca mais vi.
Já se passaram alguns anos.
Mas aquela noite eu não esqueci.

Talvez naquela noite não tivesse acontecido nada.
Mas me ficou a sensação de que podia.
Se invés de ter-lhe perguntado algo estúpido.
Eu tivesse sido sutil, como a situação exigia.

Eu aprendi naquela noite.
Que quando algo bom chega sem a gente esperar.
A gente precisa de atitude e ousadia.
Pra não deixar a oportunidade escapar.

Entendi que há momento pra tomar atitude.
E há momento pra sermos ousados.
Cabe a nós a sabedoria.
Pra que os momentos sejam interpretados.

Tudo na vida tem seu momento.
E eu espero um novo pra mim.
Enquanto ele não chega de novo.
Minha espera não tem fim.

Enquanto isso, nós vamos que vamos.
Ainda não nos encontramos.
Mas nós vamos nos cruzar.
E nesse dia, essa espera vai acabar... Oh, se vai!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PRETO É COR E NEGRO É RAÇA

Negros... Não pretos.
Preto é uma cor e negro uma raça.
Caucasianos... Não brancos.
Eu não sou branco, e estou mais entre laranja e marrom.
Branco é o meu cachorro e ainda assim com algumas partes douradas.
Nem sei porque dizemos que somos brancos.
Se nem nos cadastros existe essa raça.
Ou é negro, caucasiano, etc.
Eu sou amarronzado pela queima do sol.
Antes eu já fui rosado.
E sol após sol, bronzeadores e afins, eu dourei.
Branco? Eu não sou branco.
Até acho o branco uma cor tão sem graça.
E não digo da cor, mas dessa tão dita raça.
Os ditos amarelos são mais brancos.
E os ditos brancos são amarronzados.
Somos todos misturados.
A única cor que importa é a vermelha do sangue.
Que é igual seja em qual raça for.
Em qual cor tiver.
O sangue de branco pra negros.
E o sangue de negros pra todos.
Não por luta, mas por doação.
Sem a dita discriminação.
A raça negra é linda.
Eles têm particularidades que nós dito brancos não temos.
Uma delas é que os dentes deles são tão brancos.
Outra é que a palma da mão deles é da cor da nossa, dito brancos.
E eles devem ter uma vergonha disso.
São um pouco “brancos”.
O que mais eles têm?
Eles têm negras mais belas que ditas brancas.
Talvez idem para negros, na visão das mulheres.
Eles têm ídolos talentosos como Pelé, Michael Jordan, etc.
Que também são nossos, ditos brancos.
Eles têm tudo o que temos.
Eles podem ser tudo o que nós somos e o que eles sonham.
Nem deviam ligar para o que alguns de nós dizem.
Quando dizem é por receio, por medo.
Porque são inferiores, não os negros, mas os ditos brancos.
Devem ser mais feios, mais burros ou menos humanos.
Eu não vejo diferença entre um negro e eu.
Aliás, eu vejo sim.
Queria ter os dentes tão brancos quanto os deles.
Enfim, no corpo deles tem mais branco do que no meu.

sábado, 19 de novembro de 2016

ERA TUDO DESTINO

Quando eu te vi pela primeira vez.
Sorrindo entre amigos teus.
Eu fiz um pedido a Deus.
Pra eternizar aquele sorriso.
Desejei que você olhasse pra mim.
A noite estava no fim.
E você já estava de partida.
Mas de repente me olhou na saída.
E se foi olhando pra trás.
Achei que não a veria mais.
Só que com o destino a gente se engana.
Quando um olhar acende uma chama.
E algo na gente se inflama.
O olhar pode ser uma faísca.
Por isso a gente de arrisca.
E de você eu fui atrás.
Você já tinha partido.
Minha noite ficou sem sentido.
E só me restou ir embora pra casa.
Passaram dias, semanas e meses.
Voltei ao mesmo lugar algumas vezes.
E não te encontrei mais.
Perdi a fé de te ver novamente.
Mas aí você surgiu na minha frente.
E eu fiquei sem saber o que falar.
Quando eu nem tinha mais esperança.
Aquele sorriso da minha lembrança.
Eu pude rever outra vez.
Mas agora você estava sozinha.
E era a grande chance que eu tinha.
Então eu me apresentei.
Oi, você se lembra de mim daquela noite no bar?
Que com seus amigos foi embora.
Eu te encontrei de novo agora.
E não vai mais me deixar.
Desde aquela noite tenho te procurado.
Eu serei o seu namorado.
E iremos nos apaixonar.
Sem estar surpresa, ela me disse.
Eu sei, eu também te procurei.
Senti a mesma coisa.
E agora que te reencontrei, não vou mais te deixar.
Eu te encontrei pra te amar.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

UM CHAMADO RETUMBANTE

Esta noite eu não dormi e passei em claro.
Sonhei como eu nunca havia sonhado.
Não consegui encontrar meu sono.
E desta vez eu sonhei acordado.

O breu da noite no meu quarto.
Como uma tela onde eu projetava imagens.
Projetei diversas paisagens lindas.
E inúmeros personagens.

Numa paisagem de montanhas altas.
Eu projetei um belo cavalo alado.
Com ele eu voava por sobre elas.
Indo de encontro a um chamado.

Em dado momento desse meu voo.
Naves estelares apareciam.
Surgiam saindo de buracos negros.
Que de repente no céu se abriam.

Com seus canhões de raios tentavam me atingir.
Mas com meu cavalo alado eu conseguia me esquivar.
Depois de tantos desvios ligeiros.
Deste devaneio eu consegui escapar.

O voo voltou a ser tranquilo depois das naves.
E um céu de brigadeiro eu via adiante.
Um bater suave de asas de meu cavalo.
E ao longe um chamado retumbante.

Eu sobrevoava as belas montanhas.
Quando novamente fui atacado.
Mas desta vez por dragões de fogo.
Que cuspiam fogo por todo lado.

Meu cavalo hábil com suas asas.
Se esquivava agilmente das labaredas.
Com os dragões em nosso encalço.
Nos embrenhávamos nas veredas.

Muito maiores do que nós.
E porque não conseguiam no seguir.
Se desintegraram no breu escuro do quarto.
E assim conseguimos fugir.

Um valente o meu cavalo.
Que já havia driblado naves e dragões.
Mas agora voando baixo rente o mar.
Enfrentamos piratas e seus canhões.

Tiros de canhões disparados.
Bolas de ferro disparadas contra nós.
Comparados aos inimigos de antes.
Se esquivar seria fácil pra meu cavalo veloz.

Assim foi sem nenhum esforço.
E o navio pirata também desapareceu no breu.
O chamado continuava constante.
Até que um castelo apareceu.

De lá vinha o chamado.
Da torre mais alta daquele castelo.
Na janela uma bela morena.
Com um sorriso radiante e um corpo belo.

Ainda em voo saltei do meu cavalo.
Como uma flecha lançada eu adentrei pela janela.
O que me fez cruzar o céu e lutar com inimigos.
Foi o retumbante chamado dela.

Na minha frente a mulher mais linda.
Aquele radiante sorriso nos olhos diante de mim.
Queria eu que aquele momento fosse eterno.
E que aquela aventura no breu não tivesse fim.

A tomei em meus braços.
Nossas bocas se uniram em um beijo ardente.
Quando começamos a tocar nossos corpos, um barulho.
E todas as imagens sumiram da minha frente.

Era um barulho alto e estridente.
Vindo do maldito despertador.
O meu sonho acordado acabou.
E nos meus braços perdi o meu amor.

sábado, 12 de novembro de 2016

EU QUERO ABRAÇAR ALGUÉM

Hoje eu não abracei ninguém.
Nem ontem, nem na semana passada, nem no último mês.
Na verdade, nem lembro quando foi a última vez.
Abraço se tornou um gesto de carinho em desuso.
Nem pais e filhos se abraçam mais.
Ao crescerem um pouco, apenas alguns ainda abraçam seus pais.
Quando são pequenos e vulneráveis.
Os abraços são constantes.
Mas quando se acham independentes, não há mais abraços como antes.
Pra algumas pessoas, o abraço é excesso de intimidade.
É ter muito do seu corpo tocando o corpo de alguém.
Então não gostam de ser abraçados e nem abraçam também.
Quando se deparam com alguém que abraça.
Se esquivam deste gesto de carinho.
E se você lhes envolve com um abraço, pratica o ato sozinho.
Ainda se pode ver alguns abraços calorosos.
Alguns acompanhados de beijo na face e outros de beijo de língua.
Contudo, no fim de tudo, existe mais gente na míngua.
Nos relacionamentos acontece também.
Começam com abraços ilimitados.
Basta um pouco de convivência e eles já passam a ser minguados.
Em breve teremos que pagar por um abraço.
Como alguns compram sexo quando não têm parceira, mas têm vontade.
E isso se deve a carência de algo e a necessidade.
Algumas pessoas precisam de um abraço.
Mesmo que seja de uma pessoa desconhecida.
No limite de um desespero, pode ser um gesto que vá salvar uma vida.
Tem gente que gosta de doar abraços.
Como uma doação de sangue, é um gesto de bondade também.
Que quem está bem cercado não necessita, mas quem está carente não tem.
Abraços saciam várias necessidades.
Desde carência de companhia e até mesmo de afeto.
Mas diferente do digitado, precisa ser de alguém que está por perto.
Descubra alguém carente e o abrace.
Vai descobrir que o abraço fará tão bem pra você quanto pra quem recebe.
O bem estar é imediato, e no meio do ato você já percebe.
Abraço é um gesto voluntário.
Que pode ser bom a qualquer hora.
Desde o abraço da chegada quanto o da hora de ir embora.
Eu quero poder abraçar alguém urgentemente.
Eu quero encontrar uma mulher com esse mesmo desejo.
Que venha a ser um abraço enamorado, e espero que ele me leve a um beijo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

QUAL O VALOR QUE TEMOS?

Algumas pessoas têm valor.
Outras apenas têm preço.
Qual a diferença entre elas?
Posso falar de valor, que é o que eu conheço.

Quanto a preço eu não sei nada.
Nem tenho ideia por quanto as pessoas se vendem.
Mas sei que quem tem preço até se vende por trocados.
Enquanto as de valor por nada se rendem.

Não se rendem ao luxo e nem a mordomias.
Mesmo que elas estejam sob necessidade.
O caráter é o seu bem mais valioso.
E seu maior alicerce é sua integridade.

Quem tem valor não sabe comprar.
Quem tem preço conhece uma boa oferta.
Tem faro pra pessoas iguais a ela.
E se aproveita de uma porta aberta.

Quem tem preço não sabe julgar.
Nem diferenciar uma pessoa má de uma boa.
O que ela sabe é apenas barganhar.
Qual é o preço de uma pessoa.

Eu prefiro lidar com valores.
Não financeiro, mas de moral.
Nas pessoas eu não avalio preço.
E pra mim é o caráter o essencial.

Eu me ofereço pra pessoas com meu valor.
Não me oferto com um preço.
Contudo, o que às vezes me magoa um pouco.
É me darem menos valor do que eu mereço.

Isso faz parte da nossa vida.
Quando a gente lida com expectativas.
Por mais coisas boas que a gente faça.
Seremos lembrados pelas negativas.

Assim como quem tem coragem de fazer o bem.
Tem que saber lidar com a ingratidão.
A gente vai de anjo a demônio.
Quando magoamos um coração.

Toda a rosa que demos.
Pelo espinho será lembrada.
Toda atenção que dispensamos.
Não terá valido nada.

Que valor tem os ex-parceiros de relacionamento?
Se eles deixaram de ser o último e vieram outros depois.
Eles têm o valor dos grandes momentos vividos.
Durante o tempo em que um virou dois.

Que valor tem um amigo pra algumas pessoas?
Se ele só pode oferecer um ombro pra chorar.
Não pode oferecer nenhuma ajuda financeira.
Mas sempre está ao lado pra te levantar.

Que valor tem os pais para os filhos?
Quando eles chegam na adolescência e se acham sabidos.
Eles passam a ser senhores de si.
E alguns pais passam a ser esquecidos.

O valor é algo que creditamos em cada pessoa.
Pra cada momento da vida que com ela passamos.
O preço é algo estipulado que quem quer comprar, paga.
Preço é pra gente ordinária e valor é pra quem amamos.

Que saibamos entender o que é preço e o que é valor.
Até mesmo para as nossas coisas materiais.
Às vezes um celular perdido que se pagou um preço alto.
Contém recordações que valem muito mais.

Preço ou valor?
Fixado num deles é que a gente se mantém.
Eu sou conhecedor do valor que eu tenho.
E você? Qual dos dois você tem?

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

COM QUE IDADE NÓS AMAMOS

Com que idade temos nossa primeira paixão?
A primeira paixão ainda nasce no ventre e é por nossa mãe.
A segunda paixão é pela vida depois que nascemos.
Depois, quem sabe pelo pai, se ele estiver presente.
Ou não, se ele for apenas quem te colocou no ventre.
Aí a gente cresce um pouco.
Começa a ir pra escola, a conhecer as primeiras meninas.
E conhece a coleguinha de classe.
Em geral, sempre a mais bonitinha.
Então a gente gama ainda pequeno.
Passa a achar que ela será o amor da sua vida.
A gente cresce mais um pouco.
E na mudança de escola a gente perde a coleguinha.
Entramos então, na adolescência.
Novas amizades e novamente a colega mais linda.
Agora já não somos mais tão pequenos.
E o primeiro amor nos pega em cheio.
Ficamos bobos caminhando em nuvens.
Os primeiros beijos, as primeiras juras de amor.
A nossa primeira paixão.
O tempo passa, mudança de escola novamente.
E já não vemos mais a paixão da gente.
Depois disso, já começamos a perceber novas coisas.
Que pessoas entram em nossas vidas e se vão.
Alguns anos depois já adulto.
Já não vemos mais só meninas colegas de escola.
As meninas já estão escola afora.
E novamente nos apaixonamos
Mas agora, já namoramos, noivamos e casamos.
Um tempo depois, já nos separamos.
Não somos mais os mesmos, nós nos fechamos.
Nova paixão já se torna mais rara.
Tamanho o receio de mais uma vez quebrar a cara.
Até que amadurecemos.
Passamos a beijar bocas sem compromisso.
O tempo passa, e de repente numa dessas bocas.
O que está fechado novamente se abre.
E outra vez nos apaixonamos.
Tal qual com a coleguinha de escola.
Mas agora somos adultos, as vezes de idade avançada.
Quando se trata de amar, isso não significa nada.
Então, com que idade encontramos nosso último amor?
Não tem idade certa pra isso.
E tampouco um número determinado.
Na verdade o que a gente espera.
É que depois de não ser o único.
Que entre vários, ele seja o último, e pra sempre.
Pra alegrar o coração da gente.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A MINHA INFÂNCIA E A DOS MEUS FILHOS

Nasci em época de ditadura militar.
Mas com certeza, eu não tive do que reclamar.
Sou de 64, e no Tatuapé eu nasci e cresci.
Lá passei minha infância que até hoje não me esqueci.
Foi por lá que fiz minhas artes e travessuras.
Infância boa de crianças puras.
Naquele tempo não havia muita televisão.
E era nas ruas que encontrávamos nossa diversão.
Pés descalços, quando muito, um “conguinha”.
Por vezes até dividindo um pé do par com um coleguinha.
Peladas de rua em vias quase sem movimento.
Apenas um ou outro carro nos interrompia por um momento.
Pintávamos traves de gol nas paredes.
E as próprias paredes eram nossas redes.
Quando não, os gols eram chinelos colocados ao chão.
E fazer passar a bola entre eles, era a nossa diversão.
Naquela época, eu fazia amigos na rua e na escola os encontrava.
Meus colegas de classe eram os mesmos que na rua eu brincava.
Se podia brincar do raiar ao fim do dia.
E durante ele, era só alegria e correria.
Minha infância boa que não volta mais.
Gostaria de proporcionar aos meus filhos, mas não sou capaz.
Meu primeiro filho nascido em 87, ainda desfrutou.
De algo que eu brinquei ele ainda brincou.
Podia empinar pipas com cerol na linha.
Como era normal na infância dele quanto na minha.
Ainda se podia brincar nas ruas e ter coleguinhas.
Mas já não existiam mais os “conguinhas”.
A garotada já tinha disponível a roupa de marca e tecnologia.
Embora ainda bem menos do que há hoje em dia.
Nossos filhos ainda nos lembraram um pouco do que vivemos.
E que deixamos pra trás quando amadurecemos.
Meu segundo filho, já nasceu em 2001.
E vendo a infância dele, não me lembro da minha em momento algum.
Nem das brincadeiras de rua, nem das peladas, nem de nada.
E hoje, eu tenho pena da atual molecada.
Eles têm coisa que nós nem sonhávamos que existiria.
A útil, mas talvez maldita tecnologia.
Crianças que não sabem nem sequer correr.
Mas que nos complicados jogos conseguem nos vencer.
Nascem, completam um ano, já com tablets e celulares na mão.
Presente de pais sem nenhuma noção.
Que pra se livrarem de crianças correndo pelas casas, por quintais.
Dão aos filhos distrações que os aquietam mais.
Por isso que na minha época, meus exemplos eram meus pais.
E hoje, exemplos, muitos pais já não são mais.
Eles têm hoje na internet, ídolos da idade deles que só merda eles falam.
Assistem um após o outro e nem pra comer eles param.
Culpa deles? Culpa dos pais? Culpa da tecnologia?
Acho que um pouco de culpa de todos hoje em dia.
Deles por acharem que horas sentado valem mais que horas correndo.
Dos pais por se sentirem melhor vendo o que eles estão fazendo.
Da tecnologia por ter lhes feito pensar que a ação está na tela.
Quando o melhor da vida é viver ela.
Posso afirmar pro meu filho, convicto do que estou falando.
Que minha infância correndo foi melhor do que a dele jogando.
Não posso me esquecer da culpa que o progresso tem.
Que só reservou espaço pra prédios e não pensou em ninguém.
Então só me resta ver o hoje me lembrando do ontem.
E torcer pra que coisas do passado voltem.
Em dias que pais queiram brincar com seus filhos.
E a falta de tempo e de espaço não sejam empecilhos.
Que eles lhes presenteiem com presença quando pequenos.
E não com coisas para evitar que os filhos os ocupem menos.
Que as crianças conheçam a tecnologia na hora certa.
E talvez lhes entregá-la cedo não seja uma atitude esperta.
Entre a infância deles com a tecnologia que eu não tinha.
Com certeza, sem sombra de dúvidas, eu prefiro a minha.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O TEMPO QUE TEMOS

Tempo... Quanto tenho de tempo?
Qual o tempo que eu tenho?
Tenho tempo pra fazer o que gosto?
Depende do meu empenho.

Tempo... Eu não tenho tempo.
O meu tempo é sempre corrido.
Ocupo-me muito com o trabalho.
Não dedico a quem amo o tempo devido.

Tempo... Não me sobra tempo.
De estar com meus filhos, nem pra visitar os meus pais.
Um dia vou encontrar um tempo pra isso.
Mas meus filhos terão crescidos e meus pais eu não terei mais.

Tempo... Eu preciso de mais tempo.
O trabalho está atrasado e está se acumulando.
Passo três quartos do dia na empresa.
E eu nem vejo o tempo passando.

Tempo... Quanto eu tenho de tempo?
Me olho rápido no espelho todo dia.
Nem noto que rugas me surgem no rosto.
Nem vejo em meu rosto um pouco de alegria.

Tempo... Como passa o tempo.
Ontem meu filho era um bebê e não andava.
Agora já caminha pela casa toda.
Salta, corre, sobe e desce escada.

Tempo... Perdi meu tempo.
Dediquei-me mais ao trabalho do que a quem eu amo.
Fui mandado embora da empresa.
E agora pra Deus eu reclamo.

Tempo... O que eu fiz do meu tempo?
Deixei-o passar sem aproveitar a vida.
Não aproveitei o que eu tinha a minha volta.
E muita coisa planejada foi esquecida.

Tempo... Desperdicei o meu tempo.
Trabalhei em demasia pra juntar dinheiro.
Sendo que pra ser feliz não custa muito.
É só saber viver o tempo inteiro.

Tempo... Deram-me um tempo.
Pra eu viver, não pra sobreviver.
Foi esse o plano de Deus.
Mas não o que eu soube escolher.

Tempo... Será que ainda dá tempo?
De eu recuperar minha família e de ir visitar os meus pais.
Tomar um chopp gelado na esquina.
Com os amigos que eu não vejo mais.

Tempo... Estou recuperando o tempo.
Agora já trabalho menos e curto mais a vida.
Antes que minha contagem regressiva cesse.
E minha estada tenha sido uma chance perdida.

Meus cabelos já caíram, meu corpo já definha.
Meus filhos já são adultos e tenho netos agora.
Recuperei muito do tempo perdido.
E quando Deus quiser, já posso ir embora.

Aproveitei bem o tempo restante que tinha.
Mas só depois que me dei conta do tempo voando.
Deixo aqui minha lição de vida.
Dê-me licença, meu tempo acabou e Deus está me chamando.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

VIDA, MINHA VIDA

Vida, minha vida.
Por onde me levastes, só eu sei.
Os caminhos que eu tomei, e os quais eu evitei.
Nos que eu me perdi e nos quais me encontrei.
Alguns tortuosos, alguns com espinhos.
Outros como estradas planas recém construídas.
Sem buracos, descidas ou subidas.
No final de muitos, um muro frente a mim.
Mas muitos caminhos onde o horizonte é sem fim.
Nas minhas viagens por esses caminhos.
Muitas pessoas me apresentastes.
Pessoas boas e várias que não cheiram e nem fedem.
Das boas, me fez cercar de muitas.
As más me fez evitar.
E por várias, só me fez passar.
Vida, minha vida.
Por muitas casas eu passei.
Algumas as quais, eu nem entrei.
Por várias situações eu me defrontei.
Errei em muitas, mas também em muitas eu acertei.
Nos meus relacionamentos, eu errei.
Nos meus projetos, me equivoquei.
Mas nas minhas opções pessoais, ah... Nessas eu acertei.
O meu aprendizado é sem fim.
E sei que ainda tens muito pra mim.
É o que penso ao não envenenar o meu corpo.
Embora eu saiba que tu possas apagar-me com um sopro.
Então, eu deixo-te me levar.
Colocando pessoas no meu caminho.
E que eu decida se quero seguir sozinho.
Dê-me alegrias ímpares e tristezas amenas.
Sabedoria pra enfrentar os problemas.
Sabendo sempre que rosas são lindas, mas têm espinhos.
E que muitos estarão nos meus caminhos.
Enfim, vida, minha vida.
Até que tu ainda não findes.
Que me deixes aprender, conviver e viver.
E que quando findares, que pessoas eu tenha marcado.
E que lembranças eu tenha deixado.
Porquê é pra isso que vivemos.
Nada do que se junta, se leva.
E só o que se distribui é a recompensa.
De ti bem vivida.
Vida, minha vida.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

MELHOR VER O CÉU NUBLADO DO QUE ENSOLARADO E SE APAIXONAR PELO SOL

Gostaria de te dizer coisas belas, mas não posso mais.
Pois o que tínhamos de bonito ficou pra trás.
E o tempo não volta pra nenhum reparo.
Os acertos passam e os erros custam caro.
Mas também, muito tempo se passou.
E o que era brasa, virou cinza, e talvez se apagou.
Não posso sequer lamentar.
Nem posso reviver, mas posso recordar.
As lembranças têm personagens, mas não tem dono.
Tenho-as com a mesma pessoa, mesmo em sono.
Fazer o quê? Se não podemos controlar alguns pensamentos?
Podemos sim, tentar desviá-los em alguns momentos.
Mas é difícil, quando é de algo que foi marcante.
Pode ser fácil, quando é sobre algo irrelevante.
Como alguém que você fica por alguns instantes.
E vive momentos que jamais serão importantes.
Podem se tornar, a princípio, prazerosos.
Mas nunca serão preciosos.
Apagar-se-ão da mente como poeira ao vento.
Talvez até nos faça se arrepender em algum momento.
Já passei por várias situações assim.
De estar com quem não gostava e que não gostava de mim.
De algumas nem sequer lembro o rosto.
Do sexo então, nem me lembro do gosto.
E isso é mau, muito mau!
Não lembrar-me de quem sentou no meu banco.
Sendo que quando amei, me lembro completamente.
De quem se deitou comigo e me amou loucamente.
Lembro do olhar doce dirigido à mim.
Ainda recordo o prazer sem fim.
Depois o aconchego dos corpos cansados.   
Os beijos de língua de dois apaixonados.
Lembro timtim por timtim.
E lembro que fui culpado disso ter fim.
Mas cada um colhe o que planta.
Caiu? Sacode a poeira e levanta.
O tempo castiga, mas não enterra.
Siga adiante, senão a vida emperra.
Pode ser que nosso caminho seja uma reta.
E o que acabou foi sim, da forma correta.
Ou pode ser que nosso caminho seja um círculo.
E que uma pausa ocorreu em nosso vínculo.
Nunca se sabe o que Deus nos planeja.
Talvez ele ouça o que a gente deseja.
Vamos deixar o vento nos levar.
E vamos ver como tudo vai acabar.
Que eu encontre outro encanto nos olhos como o seu.
Que você seja feliz é um desejo meu.
Obrigado por tudo que nós juntos passamos.
Durante o ano que sim, nos amamos.
Por mais que nunca tenhamos dito claramente.
Estava no olhar, no toque e na mente.
Cuide-se meu anjo, minha amiga.
Se um dia estiver triste, me liga.