terça-feira, 14 de julho de 2020

PASSOU

Eu lhe estendi a mão, mas você não segurou.
Se virou para outro lado.
Então recolhi.
Continuei aqui.
Permaneço.
Minha mão não estendo mais.
Não, pra andarmos de mãos dadas.
Passou.

sábado, 11 de julho de 2020

CADÊ OS BEIJA-FLORES

Eu fiz um jardim pra atrair beija-flores.
Mas eles não vieram visitar.
Acho que por aqui, eles não existem.
Nem borboletas.
Também não apareceram.
Eu já ficaria satisfeito.
Se viessem os dois, seria perfeito.
Plantei flores de várias cores
De vários tipos, entre margaridas e azaléias.
Algumas que eu nem sei o nome.
Ficou bem florido.
Gosto do colorido.
Não sei porque não atrai beija-flores.
Tampouco borboletas.
Tem flores de diversas cores.
Uma hora eles se achegam por lá.
E as flores, eles irão beijar.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

NUNCA É UMA DESPEDIDA

Eu chorei por minha mãe duas vezes.
Chorei bastante, de soluçar.
Quando eu olhava pras fotos que tiramos.
E via o nosso riso estampado nelas.
Eu chorei, chorei de soluçar.
Porque minha mãe estava doente.
Muito debilitada.
Da imagem que eu tinha dela.
Já não lembrava mais nada.
Ela sempre foi franzina.
Só que também, sempre foi uma fortaleza.
E eu chorei, chorei de soluçar.
Minha mãe ia se embora.
Eu tinha plena certeza. Eu sentia.
E ela se foi. Tinha chegado sua hora.
Sem se despedir foi se embora.
E agora?
Agora nos fica a lembrança, a saudade.
Do colo pra deitar.
Da casa dela pra visitar.
Do riso cerrado.
De tudo.
Até de vê-la com cigarro, que eu tanto odiava.
Mas Deus quis assim. 
Talvez foi melhor assim.
Não a tenho mais perto de mim.
Mas a tenho dentro, do coração e da mente.
E pra sempre.
Lembrarei dela com alegria.
Jamais com tristeza.
Tristeza eu teria se a visse daquele jeito.
Debilitada e dependente.
Triste por dentro.
E agora não está.
Está curada até do vício que tinha.
Ela está com meu pai e com Deus.
E a perda nunca é um adeus.
É apenas, um até qualquer dia.

domingo, 5 de julho de 2020

CANÇÃO DE NINAR

De Ruth Patricio Meireles

Um dia quando cresceres
Serás um homem de bem
A mamãe te dará conselhos
Pra você não mais esquecer
O papai tão velhinho
Um dia te dirá
Trabalhe e estude meu filho
Que é pra Deus te ajudar
Trabalhe e estude meu filho
Pra Deus te recompensar
E quando tiveres seus filhos
Conselhos terá que lhes dar
Lembrará o que teu pai te disse
E à eles lhes ensinará
Trabalhe e estude meu filho
Que é pra Deus te ajudar
Trabalhe e estude meu filho
Pra Deus te recompensar

DONA RUTH

Uma criança em pele enrugada.
Tinha peso de criança.
Tinha inocência de criança.
Usava tamanho de roupa de criança.
Era uma criança.
Mas tinha a luz pra iluminar cem cidades.
Tinha a força do concreto frente a ventania.
Tinha a sabedoria pra confortar.
Tinha o colo pra deitar.
Teve tempo, muito tempo. 
O viveu como quis.
Se foi como quis.
Não sei se no tempo que quis.
Mas aí, isso ela não comandava.
Nem nós.

sábado, 20 de junho de 2020

SAUDADE DO CALOR HUMANO

Saudade do tato, do toque e do beijo.
Da conversa olhando nos lábios.
A poucos centímetros de distância.
Saudade do cheiro, mas não do álcool.
E sim do perfume borrifado pra me seduzir.
Do cheiro dos cabelos bem cuidados.
Saudade de abraçar forte e ficar.
E o abraço forte levar ao beijo.
E o beijo, quem sabe, levar ao sexo.
Saudade dos encontros reais.
Seja com os amigos pra um chopp.
Ou pra um vinho, com uma mulher.
Saudade de tão pouco tempo atrás.
Dos hábitos normais.
Das relações pessoais.
E agora, tudo tão frio.
Tudo sem tato, sem toque, sem beijo.
Os lábios cobertos.
Tudo a mais de metro.
Sendo o álcool, o cheiro mais desejado.
Sem que os cabelos sejam tocados.
Não há os abraços.
Nem sequer os apertos de mão.
Sem encontros, sem sexo.
Reuniões virtuais pra juntar amigos.
Cada um no seu quadrado.
Na tela, na segurança de cada casa.
Até tudo passar.
Então, que passe depressa.
E que o calor humano não morra.

quinta-feira, 5 de março de 2020

SE VOCÊ ME LESSE, SE APAIXONARIA POR MIM

Se você me lesse, se me visse por dentro.
Se apaixonaria por mim.
Veria que eu sou mais que um meia idade.
Enxergaria que sou um boa praça.
Com defeitos, claro.
Nunca pensei ser perfeito, e nem quero.
Mas eu tenho qualidades.
Tenho um bem que dinheiro não compra.
Sou transparente como o vidro.
Se eu gostar, deixo perceber.
Se eu não gostar, eu deixo também.
Sou calmo e de gênio forte, porém contido.
Exceto quando me pisam o calo e não arredam o pé.
Aconteceu apenas três vezes.
Sorte que em outras arredaram.
Já briguei por minha razão.
Agora prefiro ter paz do que brigar por ela.
Talvez mudança da idade, pela maturidade.
Já vacilei com outras pessoas.
E me acompanha o arrependimento.
Achar ser esperto, dura um momento.
Ser correto, gera alegria pra vida toda.
Não tem satisfação maior, pelo menos pra mim.
Então, sigo assim.
Já ajudei a empurrar muitos carros na rua.
Já empurrei o meu várias vezes, sozinho.
Percebendo gente que fingiu não ver.
Mas continuo a empurrar quem for preciso.
Pode contar comigo.
O meu prazer de ajudar suplanta a indignação de ver a indiferença.
Eu não sou um santo, e nunca serei canonizado.
Os meus pecados, acredito que estejam pagos.
Sou cidadão do bem.
Se me ler, se apaixonará por mim.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

CULPA MINHA, CULPA DELAS

Apesar de tudo, não foi só ela.
Fui eu também.
Afinal de contas, eu fui nulo.
Vi tudo e aceitei calado.
Então ela fez o que quis.
E acabou o que estava errado.
Depois no outro.
Não foi ela, fui só eu.
Ia tudo bem, em quase tudo.
Mesmo depois de uma década.
Tinha tesão e entendimento.
Mas num dado momento.
Num desentendimento.
Eu, com minha impulsividade.
Coloquei um ponto quase final.
Houve vírgulas depois.
Ainda nos queríamos.
Mas eu, de novo pontuei.
Agora com um ponto final.
Por causa de um sexo casual.
E o que estava certo foi encerrado.
De novo, outro.
Nesse a culpa foi dela.
Embora ela diga que foi minha.
Esse durou muito menos tempo.
Teve alguns desentendimentos.
Por ciúme, sempre por ciúme.
Esse problema que destrói relacionamento.
Seja apenas namoro ou até casamento.
Pois lida com confiança.
E por este motivo acabou.
Meus 3 relacionamentos.
As 3 mulheres por quem já me apaixonei.
Que eu me apaixone só mais uma vez.

sábado, 25 de janeiro de 2020

QUANDO MINHA MÃE SE FOR

Quando minha mãe se for...
Pareço duro falando dessa forma, mas todos temos a nossa hora.
Eu apenas sou realista.
Então quando ela se for, se for antes de mim.
Talvez eu não chore pra alguém ver.
Só sei que estarei em paz por dentro.
Triste e em paz.
Eu não carregarei remorsos.
Eu carregarei certezas.
De que eu a deixei orgulhosa de quem sou.
De que ela viveu como queria.
Com algumas tristezas, mas muito mais, com alegria.
Até que chegue o dia.
Não de sua partida, do reencontro, dela com o meu pai.
Várias décadas depois dele.
Ela irá se encontrar com ele.
Então quando minha mãe se for...
Talvez eu não chore pra alguém ver.
Imaginarei como esse encontro vai ser.
E estarei em paz.
Mas, e se eu me for antes dela?
Contraria a probabilidade, mas é possível.
Na vida, tudo é imprevisível.
Só temos a certeza da morte.
Mas nunca, da sua ordem.
O natural é os filhos enterrarem os pais.
Já que eles viveram mais.
Entretanto, às vezes a ordem se altera.
E quando menos se espera, um filho, um pai enterra.
Então se eu for antes da minha mãe.
Também estarei em paz.
Estou consciente de viver o tempo que terei pra isso.
De novo, pareço duro falando disso.
Mas eu sou apenas realista.
Todos temos um tempo que nos é dado.
Pra viver do jeito que escolher.
Nós podemos escolher como viver.
Porém, decidir quando morrer.
Essa decisão não é nossa.

domingo, 19 de janeiro de 2020

O AMOR ESTÁ NO AR

Entendi pelos filmes de amor, que ele está em qualquer parte.
Pode estar naquela garota apressada na estação, que perdeu o trem pra algo marcado.
Que o destino colocou no seu caminho quando você estava angustiado.
Quando estava ali sentado, pensando no que ia fazer com a vida.
Quando estava com a esperança perdida.
Quando não enxergava uma saída.
Já vi nos filmes de amor, que ele surge quando menos esperar.
Que a gente pode achar em qualquer lugar.
Pode ser numa livraria, numa lanchonete ou até mesmo na rua, numa noite fria.
Propícia pra algo quente.
E de repente, ele surge na nossa frente.
Do jeito que a gente sonha.
E você convida pra um café.
Já duvidei dos filmes de amor que mostram ele surgindo à primeira vista.
Mas depois de muito tempo, percebi que é mesmo possível.
E isso é incrível.
Já aconteceu comigo, então eu passei a acreditar.
Que além de estar em qualquer lugar.
Surge em qualquer momento.
Basta estar atento, e ele vai te contagiar.
Já aprendi nos filmes de amor, que ele exige que deixemos a zona de conforto.
Que arrisquemos a dar um passo.
Que percamos o compasso, pelo menos um pouco.
Não necessariamente que sejamos um louco.
Mas sem risco, não tem ganho.
E pelo prêmio vale a pena tentar.
Como nos filmes, o amor está no ar.
Basta crer e respirar.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

PAIS E FILHOS

A gente nasce filho de uma mãe.
Não necessariamente de um pai.
Pode ter sido apenas um ser deplorável.
Um cara inconsequente.
Que deu uma gozada dentro e caiu fora.
Mas há também os que assumem.
Que ficam e não vão embora.
E há os que ficam, mas parece que não estão.
Desses, existem de montão.
Tem pai de todo jeito.
Mãe tem só de dois tipos.
Mãe de cordão e mãe de coração.
As que põe filho no mundo.
As que fazem dos filhos o seu mundo.
Perfeito quando as duas são uma fusão.
Mas muitas vezes não são.
Tem mãe que só abre as pernas.
Deploráveis como os caras que somem.
E tem a mãe fantástica.
Que é a que cuida debaixo a asa.
A que cumpre a dupla função.
E tem o super pai.
Que embora não tenha gerado no ventre.
É competente.
Só não dá peito, mas é perfeito.
Tem surgido muitos destes hoje em dia.
Mas e os filhos?
Eles são uma benção.
Pelo menos enquanto são pequenos.
Mesmo que sejam travessos.
Ainda assim eles são.
A gente se abraça e se beija.
Só que eles crescem.
Mudam da água pro vinho.
Já nem abraçam mais.
Alguns gritam com os pais.
Mas alguns ainda são benção.
Outros são preocupação.
Destes tem de montão.

domingo, 12 de janeiro de 2020

MEUS DEFEITOS

Quais são os nossos defeitos?
Todos temos e é difícil enumerar.
Eu conheço e assumo alguns dos meus.
Mas não aceito alguns que querem me dar.
O meu pior de todos é a impulsividade.
Já perdi coisas e pessoas por causa dela.
Me arrependi depois e tentei voltar atrás.
Lamentei quando era tarde e não deu mais.
Também tenho a negatividade.
Às vezes penso que não vai dar certo.
E antes de tentar, isso altera um resultado.
Achar que não realizará sem ter tentado.
Também tenho a impaciência.
Não tenho para o tempo lento dos outros.
Pra mim tem que ser na hora ou pra ontem.
Por isso detesto depender de alguém.
Não tenho pra gente sem argumento.
Que tentam me convencer do errado.
Não tenho para aprendizado.
Acho que já devia ter nascido sabendo.
Desisto fácil, sei que estou errado.
Não tenho com abusos de pessoas.
Tenho vontade de dar uma tapas.
Mas me contenho e conto até dez.
E a vontade passa.
Não tenho pra delongas.
Quando enrola no meio, quero pular para o final.
Enfim, defeitos eu tenho, assim como todo ser normal.
Só não aceito uns que querem me dar.
Esses eu deixo passar.
Mas numa balança, entre defeitos e virtudes.
Eu sei pra que lado a minha pende.
Também sei pra que lado pende pras pessoas.
Independe das atitudes.
Pois vêem defeitos sem enxergar virtudes.
Defeitos lhes pesa 10 e virtudes tem peso 0.
Então a matemática mostra.
Que 1x10=10 e 10x0=0
Um defeito será maior que dez virtudes.
Faça as contas se tiverem o mesmo peso.
As pessoas devem aprender
Um dia vão entender.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

NÃO LAMENTE OS SEUS PERDIDOS

Não lamente os seus perdidos.
Sejam eles coisas ou pessoas.
Mesmo que pessoas tenham sido pra morte.
Ou se até mesmo foram pra sorte.
Pra morte, porque elas viveram seu tempo.
Pra sorte, porque invés de perda, pode ter sido livramento.
Pode ter te poupado sofrimento.
Talvez isso fique claro mais tarde.
Com outros olhos pra aquela situação.
Sem sentimento e com menos emoção.
Pode-se ter outra sensação.
Enxergar o que tinha tudo pra dar errado.
Por isso, não lamente os seus perdidos.
Abra os olhos pra novos achados.
Enxergue novas vias e oportunidades.
Novos horizontes a serem contemplados.
O capítulo está encerrado.
Mas seu livro não está acabado.
Não se encerra a sua história.
Apenas se inicia um novo capítulo.
Com novos personagens e novas paisagens.
Então não lamente os seus perdidos.
Quase sempre são esquecidos.
Quando não são, estão pra trás.
Em páginas já escritas.
Que um dia poderão ser lidas.
Porque são parte da sua vida.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

VERSANDO EU

Eu não sou perfeito.
E eu nunca vou ser.
Mas sou mais do que fotos.
E melhor do que o que pode ver.

Não sou nenhum galã.
Mas também não estou tão mal.
Tenho entrada e alguns cabelos brancos.
Pra minha idade, é normal.

Não tenho um corpo atlético.
Mas no espelho gosto do que vejo.
Estou melhor que muito jovem.
Creio que eu inspire desejo.

Não tenho vícios e nem manias.
Faço exercícios esporadicamente.
Cuido do corpo sem neuras.
Minha maior atenção é com a mente.

Não pretendo ser dono de ninguém.
Nem pretendo uma dona ter.
Sou praticante do livre arbítrio.
Quem não souber usar, vai perder.

Enfim, isso é um pouco sobre mim.
Sou humilde e super do bem.
Se a gente gostar um do outro.
Sorte nossa, amém.