sábado, 3 de outubro de 2009

SOLIDÃO VIRTUAL

Um homem em frente do monitor.
Sentado alí durante várias horas.
Seus dedos cansados pela digitação.
Longas conversas com pessoas anônimas.
Eram esperadas por noites seguidas.
Toda noite o homem ligava o notebook, digitava e não conhecia.
Acordava toda a manhã pensando na conversa anterior.
Trabalhava durante o dia e ao cair da noite a conversa se repetia.
Uma noite o homem parou, olhou para a pessoa na foto e tentou tocá-la.
Se aproximou, e ao tentar sentir seu cheiro não sentiu nada.
Afastou-se, apreciou a foto e seus escritos e dormiu.
No dia seguinte o homem acordou com o notebook ao seu colo.
Sentiu-se frustrado e em determinado momento o homem sumiu.
Sumiu nas teclas que ele teclava todos os dias.
Sumiu quando passou a acreditar que o virtual se tornaria real.
Solitário, digitando diversas palavras.
Ele foi deixando um pouco de si a cada conversa, a cada dia.
E só se deu conta ao ver seus escritos digitados na tela.
Linhas escritas para pessoas que não conseguia tocar.
Rabiscos que a expressão facial não conseguia passar.
Em frente a um monitor aquele homem vivia.
Digitando solitário, sem alguém para amar ou por quem ser amado.
Mas percebera que ficaria só, se esperasse algo do virtual.
Pois nele algumas pessoas se escondem.
E percebeu que alí não encontraria ninguém.
Apenas fotos e palavras escritas por sabe lá quem.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DE MIM PRA TI, FILHO

Leonardo meu filho
Meu pequeno gigante 
De brilho no olhar 
De sorriso radiante.  
 
De riso fácil 
De bom coração 
Como é bom ser seu pai 
Segurar tua mão.  

Seu sorriso nos olhos 
Espelho da tua alma 
Alegra-me durante o dia 
Durante a noite, me acalma.  

Estar contigo pelas manhãs
Nas tardes pensar em ti 
Teus brinquedos ao chão 
Denunciam que esteve aqui. 

Ver-te crescer 
Ver-te aprendendo 
Presenciar teus momentos 
Ver-te fazendo.   

Estou ao teu lado filho 
Pra te ensinar e pra aprender 
Sobre coisas da vida 
Que nos fazem crescer.   

Contigo aprendi a ser pai 
Por ti me dedico a isso 
Espero poder me orgulhar 
Por cumprir o compromisso.   

Educar-te e amar-te 
Ensinar-te os caminhos 
Do que é certo e errado 
Livrar-te de espinhos.  

A jornada é longa 
Espero segui-la contigo 
Na figura de seu pai 
E seu melhor amigo.
 
Amo-te meu filho 
De todo meu coração 
Quando precisares de teu pai 
Estenderei-te minha mão.   

Até quando tu quiseres 
Enquanto me achar importante 
Quando me quiser por perto 
Não me mantendo distante.  

Torne-se um grande homem 
Com a bondade que tem 
Siga em frente filho 
Que Deus te abençoe, amém.

sábado, 9 de maio de 2009

VOLTAR NO TEMPO

Ah se eu pudesse voltar atrás, voltaria.
E ficaria com você, que me amou um dia.
É pena que o tempo não volta nem um dia, nem uma hora.
Para podemos corrigir os erros de outrora.
Nossas falhas nos perseguem para a vida inteira.
E hoje me dou conta da minha besteira.
Mas agora não há mais o que fazer.
É seguir em frente, e como amiga lhe ter.
Ver-te e lembrar-me de minha impulsividade desastrosa.
E tirar-te de minha mente saudosa.
Afinal, muitos anos que se tornaram marcantes.
Embora no fim, não estivesse como antes.
Mas mesmo assim gostaria de estar contigo.
E continuar sendo seu marido, e não apenas amigo.
Criarmos nosso filho lado a lado.
Como se nada tivesse acabado.
Mas nosso ciclo se rompeu.
Fazer-se o que, se aconteceu.
Fico a desejar-te quando lhe vejo.
Sinto falta do teu cheiro e sinto falta do teu beijo.
Percebo que corresponde, mas não me deseja.
Então me pergunto por que ainda me beija.
Infelizmente tenho me sujeitado a isso.
Mesmo sabendo que tens compromisso.
Infelizmente não me interesso por outras mulheres.
E inocentemente acredito que ainda me queres.
Não aceito inteiramente nosso rompimento.
E você ainda não saiu de meu pensamento.
Mas não é culpa sua mocinha.
A culpa é exclusivamente minha.
Eu ainda vou te tirar da minha cabeça.
Basta apenas que outro amor apareça.
E quando isso acontecer.
Espero que o que me corroe hoje, não passe a lhe corroer.
Mas são coisas da vida e frutos do plantei.
Não vou mais lhe empatar, boa noite, acabei.

MEMÓRIAS DE UM VIAJANTE

Quando no horizonte o amanhecer surgia.
Com ele eu já ia despertando.
Escancarava um longo bocejo.
Sacudia a poeira e ia levantando.

Ainda era bem cedo.
Quando eu punha o pé na estrada.
Pois o caminho era bem longo.
E eu não havia andado nada.

Com o Sol cegando meus olhos.
Fitava fixo o estradão.
Não demorava em seguir viagem.
Sem destino e nem direção.

Tendo o Sol durante o dia.
E durante a noite tendo as estrelas.
Tinha no céu os meus guias.
E na terra estradas a percorrê-las.

Viajando por este mundo.
Jamais naveguei em minhas viagens.
Mas caminhando por estradas íngremes.
Apreciei lindas paisagens.

Muitos lugares bonitos eu conheci.
Alguns onde os homens nunca haviam estado.
Nestes encontrei a natureza intacta.
Em outros encontrei tudo devastado.

Nestas minhas longas andanças.
Já comi muita poeira em caatinga.
Onde só nasce arbusto espinheiro.
E planta que mata fome não vinga.

Também já bebi muita água em riachos.
Água límpida que saciava minha sede.
Dormi debaixo de muita copa de árvore.
E era nelas que eu amarrava minha rede.

Percorria trilhas durante o dia.
E a noite dormia ao relento.
Acendia uma fogueira e amarrava minha rede.
E estava armado meu acampamento.

Milhares de quilômetros eu já andei.
Enquanto meu corpo agüentou.
Mas agora que estou muito velho.
Toda esta aventura acabou.

Aqui escrevo minhas memórias.
Encravado numa cama.
Só farei mais uma longa viagem.
Mas essa eu não escolho, é DEUS quem chama.

MINHA BUSCA EM VERSO E PROSA

Que nada me impeça de ver meu amor.
Pois atravesso tempestades se preciso for.
E se a chuva causar uma enchente.
Atiro-me nela e nado contra a corrente.
Vou chegar molhado, mas eu vou chegar.
E no dia marcado, você pode esperar.
A distância que nos separa não mais existe.
Nosso sentimento é forte e resiste.
Agora nada mais nos separa.
Tu vai ter que me aturar, te prepara.
Procurei por muito tempo, e em vários lugares.
Caminhei por desertos, atravessei os sete mares.
Perdido, sem eira nem beira.
Tomando sol, comendo poeira.
Meus pés descalços, maltratados pelo terreno.
Meu corpo suado, meu semblante sereno.
Segui para o leste, guiado pela esperança.
Conheci muita gente nesta minha andança.
Fui parar em uma cidade, em outra paragem.
E ali, eu terminei minha viagem.

A TERCEIRA IDADE

Quando vejo pessoas idosas na rua.
Fico imaginando como elas viveram a vida.
Se fizeram tudo o que tiveram vontade.
Ou se alguma coisa fora esquecida.

Acredito que se arrependem de algo.
Que fizeram ou que deixaram de fazer.
Quando começaram a ficar adultos.
E tinham a chance de escolher.

Poderiam escolher ser bons.
Ou até o caminho que seguiriam.
Poderiam escolher se amariam alguém.
Ou se solitários caminhariam.

Muitos deles constituíram famílias.
Tiveram filhos com a pessoa amada.
Outros preferiram seguir sozinhos.
E em suas vidas não construíram nada.

Alguns juntaram fortunas.
Mas nada tão rico como a felicidade.
Alguns conseguiram se cercar de amor.
E agora são amados na terceira idade.

A vida nos prega peças.
E as vezes não colhemos o que plantamos.
Mas em nossa trajetória de vida.
Sabemos o caminho que trilhamos.

Temos que viver intensamente o presente.
Pois o futuro ninguém pode prever.
Que o passado se torne uma lição de vida.
Para fazermos nossa vida valer.

Não valorizamos as pessoas idosas.
Que se encontram num estágio a nossa frente.
Elas viveram coisas inimagináveis.
E é isto que devemos ter em mente.

Podem ter seguido um caminho de rosas.
Assim como uma trilha de espinhos
Mas que nós que ainda somos jovens
Não nos esqueçamos de nossos velhinhos.

Muitas vezes nos falta paciência.
Com aqueles que novamente se tornaram crianças.
Eles tem novos medos e receios.
Que não são mais aqueles de vossas lembranças.

Eles tem medo de se tornarem estorvos.
Também tem medo da solidão.
Então lembremos que a eles devemos.
Nosso carinho e nossa gratidão.

Não os deixemos esquecidos.
Mesmo que nos tenham causado dor.
Algum ensinamento sempre nos deixam.
Que nos encaminhe na direção amor.

Ingratidão é algo que não estão livres.
Pois pode ser algo que tenham plantado.
Também podem ter sido ingratos com seus velhinhos.
Quando ainda eram jovens no passado.

Aqui se planta e aqui se colhe.
Se colhe bons frutos ou não se colhe nada.
Tudo depende do tempo que é a vida.
E da semente que nela foi plantada

A gente nasce, cresce, envelhece e morre.
Pois este é o ciclo da vida.
Não levamos nada, mas algo deixamos.
Deixamos lembranças da fase vivida.

Se vivermos intensamente.
Na velhice de nada iremos nos arrepender.
Se cultivarmos amor e felicidade.
É isto que poderemos colher.

O futuro é uma incógnita.
Mas o presente tem que ser cuidado.
Não nos esqueçamos dos nossos idosos.
E os conservemos ao nosso lado.

Todos devemos respeito a eles.
Eu, tu, ele, nós, vós.
Nada como um dia após o outro.
Hoje são eles, amanhã seremos nós.

SONHOS

É madrugada e eu não consigo dormir.
Procuro-te ao meu lado e você não está. 
Fixo meu olhar num ponto escuro e deparo-me com a imagem de um rosto.
O rosto no escuro é o teu, e está sorrindo.
Levo minha mão ao rosto e não consigo tocá-lo.
Aproximo minha boca e não posso beijá-lo.
Pois o rosto que vejo no escuro da noite é de minhas lembranças.
Então fecho meus olhos e tua imagem com um sorriso convida-me a sonhar.
Em meu sonho te procuro entre as estrelas.
Mas me dou conta que embora estrela você brilha na Terra.
Em meu sonho eu tenho você todas as horas, a todo minuto.
Não existe distância e nem tampouco pressa.
Os caminhos são curtos e o tempo é nosso.
Em meu sonho deitamos na areia.
Nossos corpos unem-se e nossos corações aceleram-se.
A paixão invade meu sonho.
E sob a luz da Lua, sobre a areia branca fazemos amor.
Nosso amor reluz como o Sol que já aparece no horizonte.
Então acordo e te procuro ao meu lado, mas você não está.
A escuridão que projetara teu rosto deu lugar a um lindo dia.
Mas o teu rosto permanece em minha lembrança, e sorrindo.
E permanecerá até a noite seguinte.
Até que tua imagem me convide a sonhar novamente.
Até que chegue o dia em que eu possa sentir o teu cheiro.
Que eu possa te abraçar, te beijar e fazer amor com você.
E o suor de nossos corpos provará que não é mais um sonho.
É realidade.

SOLIDÃO

Um homem caminhava solitário por uma praia deserta.
E sob sol forte andava por várias horas.
Seus pés descalços pisando forte a areia escaldante.
Pegadas sem volta que apontavam numa só direção.
Eram repisadas e se aprofundavam a cada passagem.
Toda noite o homem parava, descansava e dormia.
Acordava toda a manhã e repetia a mesma caminhada.
Andava durante o dia e ao cair da noite dormia.
Uma noite o homem parou, olhou para o mar, olhou para a Lua.
Apanhou um graveto e riscou a areia que apouco maltratara seus pés.
Sentou-se, apreciou seus rabiscos e dormiu.
No dia seguinte o homem acordou com o Sol queimando sua pele.
Seguiu sua trilha e em determinado momento o homem sumiu.
Sumiu nas pegadas que ele repisava todos os dias.
Sumiu quando ele passou a perseguir os seus próprios passos.
Solitário, repisando suas próprias pegadas.
Ele foi deixando um pouco de si a cada passagem, a cada dia.
E só se deu conta em seu escrito riscado na areia.
Linhas que as ondas do mar não puderam alcançar.
Rabiscos que o vento não conseguiu apagar.
Em uma ilha aquele homem vivia.
Caminhando solitário, sem alguém para amar ou por quem ser amado.
Mas percebera que estava só quando olhou para a Lua.
Pois a Lua tinha a companhia das estrelas.
E notou que em volta de si não havia ninguém.
Nem mesmo sua própria sombra.

SER NINGUÉM PARA ALGUÉM

Um dia perdi alguém, que ainda não conhecia bem.
O meu direito de estar com esse alguém, estava nas mãos de quem?
Ninguém poderia saber o quanto eu queria estar com esse alguém.
Já que nem eu mesmo sabia, pois ainda era quase ninguém.
Agora já sei, e descobri também.
A sensação de ser um pouco para alguém.
Nos faz sentir-se bem e podemos ir mais além.
E esperar mais de alguém.
Mas de quem?
De quem teve pouco de mim.
De quem me conheceu assim.
O que restou para mim?
Momentos que passaram depressa e que a vida levou num relance.
Mas assim como levou também trouxe.
Uma oportunidade de ter outro alguém.
Que me desse uma chance de ser todo pai de um neném.
Mas até quando?
Até que também resolvesse me tirar mais alguém.
Alguém que aprendi a conhecer, mas que não conheço também.
E então a gente que pensa que é alguém.
Acaba descobrindo que não é ninguém.
Mas para quem?

SAUDADES

Onde estás, onde andas?
Já não te acho mais ao meu lado.
Não sinto mais o teu cheiro.
E passo noites acordado.

Não tenho mais os teus beijos.
Nem o afago do teu carinho.
Sinto falta do calor do teu corpo.
Pois me encontro aqui sozinho.

Há dias que não te vejo.
E você não me sai do pensamento.
Quisera encurtar a distância.
Para estar com você neste momento.

Teu rosto e tua voz.
Ainda tenho em minha lembrança.
Mas os dias parecem semanas.
À medida que o tempo avança.

Tento achar uma maneira.
De espantar a solidão.
Então te escrevo esta poesia.
E te declaro minha paixão.

Eu sobrevivo de lembranças.
Dos momentos que estive contigo.
Mas se estar com você é meu aconchego.
Então a saudade é meu castigo.

Se você estiver sozinha.
E escutar o vento uivando.
Não te assuste meu amor.
Sou eu que estou te chamando.

Está chegando o fim de semana.
Finalmente irei te encontrar.
Conto cada minuto e cada segundo.
Pois estou louco para te beijar.

Saudades a gente sente.
Somente das pessoas que ama.
E para toda saudade há um reencontro.
Que mantém acesa a chama.

O REFLEXO

Olho para a superfície límpida de um rio.
Nela vejo um rosto a me encarar. 
Atiro uma pedra no rio.
Pequenos círculos começam a se formar e novos círculos dentro destes.
O rosto começa a desfigurar-se em pequenos reflexos que somem lentamente.
Levo minhas mãos ao rosto, pois o rosto a desfigurar-se era o meu.
Fico olhando aquele rio.
Espero alguns segundos e novamente meu reflexo surge.
Desta vez está sério, temeroso de que eu possa atirar outra pedra.
O semblante sério me induz a repetir meu gesto.
Novamente surgem os círculos brotando não sei de onde.
Fico olhando aquele rio.
A superfície do rio se abranda e nela procuro o meu reflexo.
Desta vez está triste.
A tristeza reflete em meus olhos e arranca-me uma lágrima.
Cai como uma pedra na superfície do rio.
Desta vez não surgem os círculos.
Mas o reflexo está lá, altivo e imponente.
Como se estivesse satisfeito por ter-me visto chorar.
De repente tudo volta ao normal, a superfície calma, o reflexo.
A imagem no rio acompanha meus trejeitos.
Mas uma coisa mudou e eu aprendi.
As pedras que atirei doeram mais que o brilho da luz que me fez lacrimejar.
Fico olhando aquele rio.
Nele vejo um rosto a me olhar.
Agora está sorrindo, pois não atirei nenhuma pedra.
O sorriso reflete em meus olhos.
Não arranca de mim nenhuma lágrima.

PENSANDO EM VOCÊ

Fecho meus olhos e vejo o teu sorriso.
Então busco na lembrança de teu rosto preencher minha solidão.
Nossa música toca enquanto rascunho os meus pensamentos.
As palavras vão surgindo conforme cerro meus olhos tentando buscar-te no pensamento.
E você vem, chego até a sentir o teu cheiro.
Mas desaparece como miragem ao toque dos meus dedos.
Procuro-te no espaço vazio e só te encontro no fundo do meu peito.
Peito que dói, porque sente a tua ausência.
Não sei se é pior a ausência do amor ou a ausência da pessoa amada.
Gostaria que você estivesse aqui.
Murmuraria em teu ouvido o que te amo.
Mas você não está, e está tão distante que não pode ouvir-me.
Quisera poder entrar nos teus sonhos.
Participar de teu sono e te ver despertar pela manhã.
Mas tenho que me contentar com minhas lembranças.
O meu coração tem pressa e atropela o tempo.
Pede que você faça parte do meu destino.
Não aceita mais quando lhe digo que isso vai demorar.
Então me aperta, como se estivesse me culpando por não mudar a situação.
Eu assimilo a dor e espero que o tempo passe.
Quem saiba passe tão rápido quanto os dias em que estamos juntos.
Ou tão lentamente quanto os dias em que espero para te encontrar.
Enquanto isso o barco segue enfrentando os contratempos.
Inclina-se um pouco, mas ergue-se e continua navegando.
Navega somente com a força dos ventos.
Leva-me consigo e espera o momento em que você queira embarcar.
E aí sentiremos a brisa suave que soprará em nossos rostos.
E nos amaremos mais que hoje e não menos que amanhã.

PASSADO É PARA SE VER PELO RETROVISOR

Há algum tempo atrás escrevi diversos textos.
Em alguns deles frases que me são inspiração para os dias de hoje.
Num deles escrevi:
“Esqueça os ferimentos dos teus pés, pois tu ainda tens os pés e um longo caminho”.
Hoje tenho vários ferimentos, alguns nos pés, outros não.
E assim como tenho um longo caminho, eu tenho alguns ferimentos que devo esquecer.
Em outro texto escrevi a frase:
“O tempo fecha as feridas, mas não apaga as cicatrizes”.
Portanto, levarei as cicatrizes todas comigo.
E num dia qualquer lembrarei dos ferimentos de tais cicatrizes.
Lembrarei das cicatrizes que deixei em outros que como eu, se machucaram.
Enfim, escrevi vários textos no passado.
Passado é uma palavra que significa algo que passou.
Onde aprendemos tudo ou não aprendemos nada.
Eu espero ter aprendido.
Assim como espero ter ensinado.
Mas e presente, o que é?
Como li uma vez numa frase que não foi minha.
É o hoje, e é uma dádiva, e por isso se chama presente.
E se é um presente, preciso vive-lo intensamente.
Tendo o aprendizado de tempos atrás.
E os objetivos de tempos à frente.

OPÇÕES

O que seria do preto se todos gostassem do branco?
O mundo seria chato sem tons.
Não haveriam diferenças e nada para discussão.
Não existiriam o vermelho, o verde, o azul e o amarelo.
E mesmo sabendo que estas cores de nada surgiram 
do preto e do branco, há uma certeza que surgiram para
se misturarem com eles e criar novos tons.
O que seria do homem se não existisse o amor?
O mundo seria um lugar onde o ódio imperaria e as
pessoas não sentiriam vontade de estar com as outras.
Mas por que o amor acaba então?
É para que usemos a mesma opção das cores, ou seja,
amar novamente ou ignorar que o amor existe.
Algumas vezes podemos deixar de gostar do branco por
acharmos o colorido mais bonito.
Mas com certeza não podemos deixar de gostar do amor
por acharmos a liberdade mais interessante.
O branco é mais bonito se combinado com outras cores,
assim como o amor é mais gostoso se não for sufocado.

ONDE ERREI COM VOCÊ

Errei contigo quando deixei de ressaltar sua beleza mais vezes.
Vi suas qualidades, mas não enxerguei que precisava delas.
Errei quando não queria seu corpo no meu para sentir a intimidade de nós dois.
Quando deixei de ter quando eu não queria.
Troquei momentos íntimos por horas de trabalho além da jornada.
Passei horas no chuveiro só, para chegar na cama quando já estivesse dormindo.
Por várias vezes tomei banho com a porta trancada para que você não entrasse.
Nas vezes que precisou de um afago eu não te dei.
E quando me beijou eu não te beijei.
Não andava de mãos dadas.
Mas porque estávamos mais longe do que dois braços de distância.
E não tentamos encurtar o espaço que se formou entre nós.
Lembrava sempre dos bons momentos que tivemos.
Mas não fazia questão de vivê-los novamente.
Era parte do passado e não os queria no presente.
Mesmo sabendo que foram os melhores anos de minha vida.
Também tive na época uma fase que devia ser esquecida.
Errei contigo quando comecei a te chamar pelo nome.
Sem a doçura de um apelido.
Errei contigo quando comecei a andar na frente e te deixei para trás.
E quando percebemos, já não nos víamos mais.
Não fiz mais loucuras de amor por ti.
Deixamos de fazer travessuras juntos.
E não íamos mais a praia para fazer amor na areia.
Não te beijei mais sob a chuva.
E os beijos foram ficando escassos.
Tudo ficou resumido ao simples e básico.
Deixei de te escrever bilhetes, e quando precisava não mais os encontrava.
Não te liguei quando esperou, e não atendi quando ligou.
Errei contigo de diversas formas.
Você errou comigo de diversas maneiras.
Mas hoje isso não nos importa.
Não temos mais como errar um com o outro.
São apenas lições de vida.
São dicas para quem quer aprende-las.

QUAIS SÃO NOSSOS ERROS?

Erramos com nossos pais por...
Não ter compreendido quando precisaram ser duros.
Não ter agradecido por terem nos colocado no mundo.
Ter sido ingratos e não ter retribuído o carinho que nos deram.
Não tê-los abraçado tanto quanto mereciam.
Ter deixado de dizer eu te amo quando precisavam ouvir.
Deixá-los envelhecer sem a dignidade que merecem.
Esquecer de lhes dar a atenção e o carinho que necessitam.
E jogá-los de um lado para o outro como se fossem estorvos.
Erramos com nossos filhos por...
Esquecer que são dádivas.
Não cercá-los de amor, carinho e atenção.
Não semear neles coisas boas.
Esquecer deles por causa de trabalho.
Deixar de ensiná-los a diferença do certo e o errado.
Fazer que percam suas fases na vida.
Não deixar que brinquem como brincávamos.
Não orientá-los quando estiverem aprendendo.
Deixar que aprendam como pensam sem mostrar se é certo ou errado.
Não freia-los quando estiverem passando da linha.
Deixá-los ver na rua amigos melhores do que poderiam ter em casa.
Não deixar que voem com suas próprias asas.
E que encontrem seus parceiros e seus caminhos.
Erramos com nossos amigos por...
Ter deixado de lhe receber com um sorriso.
Não ter dado um conselho quando foi preciso.
Não ter dado uma bronca necessária.
Não ter pedido desculpas por uma palavra dita de forma errada.
Ter estado ausente nas horas difíceis.
Não ter lhe dado um ombro para chorar.
E nem ouvidos para desabafar.
Erramos com nossos parceiros...
Por não expressar nossos sentimentos.
Economizar palavras de elogio.
Deixar que a relação vire rotina.
Não apimentar a vida amorosa e sexual.
Deixar de ter momentos íntimos.
E erramos por não compartilhar.
Sejam horas felizes, sejam momentos de tristeza.
Enfim... Erramos muito.
Às vezes até sem querer.
Mas o mais importante é que aprendamos com os erros.

AGRADECIMENTO À MÃE

Eu ainda estava em teu ventre quando senti os primeiros carinhos.
Você alisava aquela grande barriga, redonda como a Terra.
Ouvia quando conversava comigo num monólogo solitário.
Eu queria responder-te, mas eu não sabia falar.
Então eu te chutava e te dava socos.
E você perseguindo meus chutes.
Eu sentia em teu corpo a felicidade de ter-me dentro de ti.
Eu deformei o teu corpo e suguei o teu sangue.
Mas mesmo assim você me amava.
Eu podia sentir na tua pele e na tua temperatura.
Você me guardou por vários meses, sempre com amor e carinho.
Mas chegara o momento de eu vir ao mundo.
E eu estava ansioso para te conhecer.
Você estava se divertindo, quando eu te privei dos teus prazeres para me deixar nascer, e enfim eu nasci.
Desocupei o teu corpo para ocupar apenas o teu coração.
Acabara o teu sossego e tuas horas de sono, e começara naquele momento a tua dedicação para mim.
Eu fui crescendo, aprendi a andar, comecei a falar.
Mas a primeira palavra que eu disse não foi “mamãe”.
E nem assim você me achou um ingrato.
Você me  cercava de cuidados e eu não sabia te agradecer.
Eu cresci e me tornei adolescente, mas nunca te agradeci.
Gritei com você, te fiz chorar, e sempre tive o teu perdão.
Agradecer, eu nunca te agradeci.
Por ter me levado dentro do teu corpo.
Ter me acalentado em teus braços quando eu chorava.
Ter me agasalhado com teu calor materno para que eu não me sentisse só.
E eu nunca te agradeci.
Agora eu sou um adulto, um ingrato adulto.
E só hoje minha mãe eu escrevo esta linhas para te agradecer.
E me desculpar pelas noites mal dormidas.
Por deformar o teu corpo.
E por nunca lhe ter feito um carinho como aqueles que você sempre me fez.
Talvez eu nunca tenha lhe dito que eu te amo.
Mas saiba que eu te amo, minha mãe. 
Do meu jeito, mas eu te amo.

A LUA E O LUAR

Ó Lua tão distante.
Diante de ti fico a pensar.
Olhando-te a todo instante.
Como é belo o teu luar.

Na minguante tú se esconde.
Reaparece na crescente.
Volta cheia de beleza.
E fica nova novamente.

Meus pés pisam a areia.
Meus olhos miram a ti.
Caminho em pensamentos.
E te encontro por aí.

Olha para o mundo.
Ilumina o meu caminho.
Sei que estás tão longe.
Mas não me sinto tão sozinho.

Como uma luz no fim do túnel.
No céu escuro te vejo tão clara.
Tú passeia pelo mundo.
Tú não descansa, tú não pára.

Teu luar é místico.
E também é tão belo.
Em tú predomina o cinza.
Em teu oposto o amarelo.

Amanheceu, é dia.
É noite em outro lugar.
Lá vai você linda Lua.
Encantar com o teu luar.

Vai linda Lua.
Procurar o teu remanso.
Vai minha Lua.
Tú merece o teu descanso.

MEU FILHO LEONARDO

Tu és a minha luz.
Tu me trouxeste a maior alegria.
Tu me deste a chance.
De reaver o que perdi um dia.

Deixei me perder no caminho.
Quando era um jovem despreparado.
A benção de ser pai de um filho.
E o deleite de tê-lo ao meu lado.

Às vezes os caminhos se desviam.
Tomam apenas estradas paralelas.
Mas como a vida continua.
Só temos a opção de seguir por elas.

Uma diferença agora existe.
Já não sou mais um jovem despreparado.
Hoje já me acho um homem maduro.
E nossos caminhos seguem lado a lado.

Não me perdoarei se falhar de novo.
Embora já tenha deixado algo a desejar.
Senão estaria todos os momentos contigo.
E estradas paralelas não precisaríamos trilhar.

São coisas que acontecem na vida.
Nem sempre a vivemos como desejamos.
Muitas vezes perdemos no caminho.
Várias pessoas as quais amamos.

Mas saiba meu filho.
Que a todo minuto penso em ti.
Como é bom me sentir pai do Léo.
Como é gratificante tê-lo aqui.

Não sei se um dia te darei mais irmãos.
Pois nem sei quais serão os meus caminhos.
Espero sim, segurar em tua mão.
E tentar guiá-lo por trilhas sem espinhos.

Em minha tentativa anterior eu falhei.
Não consegui manter meu lar.
Agora embora eu o tenha desfeito de novo.
Com você eu não posso falhar.

De meu primeiro filho ouvi algo que não esperava ouvir.
Pois nunca o deixei de lado.
Se não estive onipresente como queria.
Foi porque o destino havia nos separado.

Que Deus me permita vê-lo crescer.
E vê-lo se tornar um homem de bem.
Para que eu saiba que cumpri minha missão.
De vê-lo semear o amor que te dei em alguém.

QUANDO AS LÁGRIMAS ANTECEDEM A SAUDADE

Eu vi escorrerem lágrimas em teu rosto.
Mas os teus olhos não foram feitos para chorarem.
Eu vi tristeza em teu coração.
Mas teu coração só deveria conhecer felicidade.
Percebi em mim um sentimento de culpa.
Avaliei os meus atos e as minhas palavras.
Procurei falha em meu comportamento.
Pois eu disse que nunca tiraria o sorriso que existe em teus olhos.
Também disse que não faria sofrer o teu coração.
Portanto tu choravas naquele momento.
Aquele rosto que acariciei, aquela boca que beijei.
Tomadas por lágrimas que corriam sem constrangimento.
Extravasavam uma dor que mais tarde eu saberia ser saudade.
Meu amor como eu te amo e como eu te quero.
Quero te acalentar em meus braços.
Fazer-te adormecer e depois vigiar o teu sono.
E em teu sonho tu sentirias eu te beijar.
Molhar os teus lábios e acariciar o teu corpo.
E quando os teus sonhos parecerem realidade.
Quando os meus sonhos também se tornarem realidade.
Então estaremos juntos, mais amados e mais amantes.
Não quero que nada mude, nossas ações e nosso comportamento.
Que o desejo invada nossas mentes em qualquer lugar e a qualquer momento.
Que sobreviva o respeito e a admiração recíproca.
E que primordial se cultive o amor.
Aquele mesmo amor que começou de uma paixão.
Que entrou pelos seus olhos e também pelos meus.
Correu em nossas veias e nervos e alojou-se.
Da paixão brotou um sentimento. 
Um sentimento que hoje te fez chorar, e que também me fez chorar.
São lágrimas que antecedem a saudade.
Mas recorda-te dos bons momentos e sorria.
Lembre-se dos nossos risos, das conversas e das brincadeiras que fizemos.
E nos conformaremos por alguns dias.
Até que nos encontremos novamente.
E seja pelas mesmas lágrimas que derramamos hoje.
Seja pelo suor de nossos corpos, ou pelos fluídos que fluem do nosso prazer.
Que nosso amor seja sempre regado.
Como hoje, por tudo, e sempre.