sábado, 9 de maio de 2009

SOLIDÃO

Um homem caminhava solitário por uma praia deserta.
E sob sol forte andava por várias horas.
Seus pés descalços pisando forte a areia escaldante.
Pegadas sem volta que apontavam numa só direção.
Eram repisadas e se aprofundavam a cada passagem.
Toda noite o homem parava, descansava e dormia.
Acordava toda a manhã e repetia a mesma caminhada.
Andava durante o dia e ao cair da noite dormia.
Uma noite o homem parou, olhou para o mar, olhou para a Lua.
Apanhou um graveto e riscou a areia que apouco maltratara seus pés.
Sentou-se, apreciou seus rabiscos e dormiu.
No dia seguinte o homem acordou com o Sol queimando sua pele.
Seguiu sua trilha e em determinado momento o homem sumiu.
Sumiu nas pegadas que ele repisava todos os dias.
Sumiu quando ele passou a perseguir os seus próprios passos.
Solitário, repisando suas próprias pegadas.
Ele foi deixando um pouco de si a cada passagem, a cada dia.
E só se deu conta em seu escrito riscado na areia.
Linhas que as ondas do mar não puderam alcançar.
Rabiscos que o vento não conseguiu apagar.
Em uma ilha aquele homem vivia.
Caminhando solitário, sem alguém para amar ou por quem ser amado.
Mas percebera que estava só quando olhou para a Lua.
Pois a Lua tinha a companhia das estrelas.
E notou que em volta de si não havia ninguém.
Nem mesmo sua própria sombra.

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